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terça-feira, 26 de agosto de 2014

zona de Mariel: o papel do Brasil no desenvolvimento cubano




Por Patricia Grogg da IPS/Envolverde

A Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel (ZEDM), a obra de maior envergadura em muitas décadas em Cuba, nasceu graças ao apoio financeiro do Brasil, que aglutinou vontade política, estratégia e integração, além de visão de negócio. “Cuba sozinha não teria conseguido realizar o projeto do ponto de vista técnico e econômico, afirmou à IPS o economista Esteban Morales, para quem o entorno geográfico converte a obra em estratégica para a atividade comercial, industrial e de serviços na América Latina e no Caribe.

O Brasil financiou os bens e serviços da construção do terminal de contêineres e a remodelação do porto de Mariel, equipado com tecnologia de última geração para receber e operar carga de navios de grande calado como os chamados Pós-Panamá, que começarão a chegar quando for completada a ampliação do Canal do Panamá, em dezembro de 2015.

A instalação, que fica 45 quilômetros a oeste de Havana, se localiza na rota dos principais fluxos de transporte marítimo do hemisfério, por isso os especialistas coincidem em afirmar que a baía tem características para ser a maior do Caribe em tamanho e volume de atividade. O terminal é o coração da zona especial, de 465 quilômetros quadrados, que oferecerá uma infraestrutura de estradas que ligarão o porto de Mariel ao resto do país, uma ferrovia, estruturas de comunicações e vários outros serviços.

Vista parcial do prédio administrativo do terminal de contêineres localizado no porto da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel, em Cuba. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Na zona especial, atualmente em construção, serão realizadas atividades produtivas, comerciais, agropecuárias, portuárias, logísticas, de formação e capacitação, recreativas, turísticas, imobiliárias, de desenvolvimento e inovação tecnológica em instalações que incluem centros de distribuição de mercadorias e parques industriais.

Dividida em oito setores, para seu desenvolvimento por etapas, as primeiras serão destinadas a telecomunicações e um parque de tecnologia moderna, no qual serão instaladas indústrias farmacêuticas e de biotecnologia, dois setores que terão prioridade em Mariel, junto com o de energias renováveis e o agroalimentar, entre outros. O governo cubano estuda a aprovação de 23 projetos da Europa, Ásia e América para se estabelecerem em Mariel, nos setores químico, de materiais de construção, logística e arrendamento de equipamentos.

Inaugurado em 27 de janeiro, nos seus primeiros seis meses de operação o terminal recebeu 57 navios e cerca de 15 mil contêineres, uma quantidade mínima porque a capacidade de armazenagem é de 822 mil. Os Pós-Panamá poderão transportar até 12.600 contêineres, três vezes mais do que os navios que atualmente podem atravessar esse canal interoceânico.

Pedro Monreal, também economista, calcula que o custo por contêiner então cairá pela metade, e que o custo menor vai melhorar a competitividade das manufaturas brasileiras, para citar um exemplo. Mariel, onde também haverá uma zona franca, pode se converter em plataforma de produção e exportação para essas empresas, inclusive para abastecer seu próprio mercado.

Equipamentos pesados preparam o terreno para construção da ferrovia que fará parte da nova infraestrutura vinculada à zona de desenvolvimento que representa o maior projeto já executado em Cuba em décadas. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

O Decreto-Lei 313, que criou a ZEDM, é de 13 de setembro de 2013, mas a modernização de Mariel começou três anos antes, conduzida por uma empresa mista formada em fevereiro de 2010 pela Companhia de Obras e Infraestrutura, subsidiária da construtora brasileira Odebrecht, e pela Quality Cuba S.A. O terminal de contêineres é administrado pela Global Ports Management Limited, uma dos maiores operadoras portuárias do mundo, que trabalha há tempos com a firma cubana Armazéns Universais S.A., proprietária, usuária e responsável pelo uso eficiente do enclave portuário.

A relação entre Cuba e Brasil é de longa data. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esconde suas simpatias pela revolução desse país caribenho, que visitou em várias ocasiões, primeiro como dirigente sindical e político, depois como mandatário e agora como ex-governante. Dois pacotes de acordos assinados em 2008 e 2010 entre Lula e o presidente cubano, Raúl Castro, marcam seu interesse em reforçar os vínculos binacionais, um esforço continuado pela presidente Dilma Rousseff.

Entre esses acordos está o de crédito para Mariel. Dilma especificou, quando participou da inauguração do terminal, que foram US$ 802 milhões para esta etapa, mais US$ 290 milhões para a segunda fase. O primeiro crédito foi destinado inicialmente à estrada, mas o governo local decidiu começar pelo porto. O empréstimo foi concedido pelo estatal brasileiro Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Havana entrou com 15% do investimento necessário para as obras.

“Cuba é uma prioridade para nosso governo e também Havana coloca muita atenção no Brasil”, apontou à IPS o diretor-geral da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Hipólito Rocha. A Apex-Brasil foi criada por Lula e Castro para promover negócios conjuntos em Cuba, no Caribe e na América Latina.

A Odebrecht é a companhia mais importante vinculada a Mariel, mas fontes diplomáticas disseram à IPS que, no total, cerca de 400 empresas brasileiras participam das obras. “Entre nossos países há afinidade, vontade política, vocação para se integrar, mas também os negócios são importantes”, destacou Rocha. Cuba cumpre rigorosamente seus compromissos financeiros com o Brasil e a relação binacional “está muito consolidada, é sustentável e deixa benefícios também para nosso país”, acrescentou.

Para o analista Arturo López-Levy, residente nos Estados Unidos, a vinculação do Brasil com o projeto da zona de Mariel foi decisiva não apenas pelo investimento. Para ele, o governo brasileiro envia uma mensagem a Washington e à União Europeia, e a outras potências emergentes, de apoio à transformação cubana.

Em se tratando de sinais, os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, os deram quando visitaram Cuba em julho, para ampliar os projetos de colaboração com Havana. Ambos passaram por este país após participarem da Sexta Cúpula do Grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), entre 14 e 16 de julho, que aconteceu no Brasil.

O reforço desses vínculos promete maior acesso aos mercados chinês e russo, atração para investimentos em áreas de interesse comum, como a indústria farmacêutica e energética, cooperação para a modernização em setores estratégicos de defesa, portos e telecomunicações, resumiu López-Levy à IPS.

Sobre o possível interesse de empresários norte-americanos em se posicionarem na ZEDM e um aumento de pressões pelo fim do embargo, o economista alertou que, como mercado, Cuba “causa um interesse muito limitado nos Estados Unidos”. No entanto, o economista considerou “evidente” que aumenta a motivação dos investidores norte-americanos em geral, e dos pertencentes à comunidade cubano-norte-americana, em particular.

“Para que essas motivações se transformem em pressão política contra o embargo é necessário que a economia cubana emita sinais claros de recuperação e que, em termos fundamentais, o governo tenha disposição para adotar uma economia mista, com garantias transparentes para os investidores, e capacidade de exportar”, acrescentou López-Levy.

Por sua vez, Rocha tem uma opinião diferente. Para ele, “o embargo cairá por seu próprio peso. Será sepultado pelos negócios”. Em um fato interpretado como simbólico, o primeiro navio que atracou no porto de Mariel após sua inauguração trouxe alimentos dos Estados Unidos para Cuba, únicas importações, mediante pagamento em dinheiro, permitidas pelo bloqueio que já dura mais de cinco décadas.

Fonte: Solidários

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Nova teoria sobre a origem do universo


Escrito por Camila Carduz

16 de agosto de 2014, Ottawa, 16 ago (Prensa Latina) O universo tridimensional como o conhecemos pode ter tido originado de uma estrela 4D colapsada , segundo teoria apresentada por cientistas canadenses e divulgada hoje pelo diário Dailygalaxy.
O postulado contemporâneo mais popular "Big Bang" assegura que nosso universo surgiu depois da explosão de um objeto de enorme massa e densidade denominado exclusividade espaço-temporal.

A teoria do Big Bang está reforçada por vários fenômenos científicos descobertos pelos astrônomos e físicos, como a expansão do universo observável e a existência de ondas gravitacionais primordiais.

No entanto, os especialistas canadenses do Instituto Perimeter de Física Teórica referiram que essa hipótese nunca tratou de explicar o que precedeu à grande explosão cósmica, o que sim faz a nova teoria apresentada por eles.

A inovadora hipótese sobre a genese do universo compara o fenômeno de um horizonte de acontecimentos de um buraco negro em nosso universo de três dimensões com um processo semelhante em um hipotético universo quatridimensional.

Segundo os especialistas, em nosso mundo, o denominado horizonte de acontecimentos representa um ponto sem volta para a matéria e a energia.

Se qualquer partícula, incluídos os fotons de luz, atravessa esse ponto, será impossível para ela escapar a gravitação e com o tempo cairá no centro da massa do buraco negro, acrescentaram os expecialistas canadenses.

Os autores sublinharam que sua ideia não contradiz matematicamente os conhecimentos atuais, no entanto, reconheceram que o conceito de um mundo multidimensional é difícil de entender para a espécie humana, que só conhece três dimensões.

sábado, 16 de agosto de 2014

Sabotadores ucranianos confessam plano contra ajuda humanitária russa


Escrito por Camila Carduz

Imagen de muestra 
Kiev, 16 ago (Prensa Latina) Militares da Guarda Nacional (GN) ucraniana capturados por milicianos da insurgente cidade de Lugansk confirmaram hoje que tinham a missão de atacar o comboio de ajuda humanitária russa destinada à região do Dombass.
Os três saboteadores integrantes de uma força tarefa da GN escondiam em um veículo um carregamento de armas e munições, segundo informou o quartel geral das milícias unificadas da República Popular de Lugansk e de Donetsk. Um porta-voz dos rebeldes explicou que o arsenal estava oculto em bolsas como embalagens de alimentos.

O plano consistia em "plantar" minas ao longo do caminho e atacar ao comboio russo que transporta 400 toneladas de cereais, 100 de açúcar, 62 de alimentos para crianças, 54 de medicamentos, 12 mil sacos de dormir e 69 geradores elétricos.

Os integrantes do comando disseram nos interrogatórios que o objetivo principal de sua missão era impedir que esses meios de subsistência chegassem aos residentes das zonas rebeldes do sudeste ucraniano, destroçadas em catástrofe humanitária pelos bombardeios das forças subordinadas a Kiev.

Um dos detentos assegurou que o Exército ucraniano tem enviado sete equipes de sabotadores para as regiões de Donetsk e Lugansk e que esses grupos foram treinados para operar em emboscadas ao longo das rotas que conduzem às áreas controladas pela milícia.

Explicou que os oficiais de segurança os instruíram na execução de ações que obriguem ao comboio a retornar à fronteira sem chegar a matar aos socorristas russos que acompanham o veículo.

Os detentos reiteraram que os planos de atentado tem como objetivo impedir o fornecimento de alimentos e medicamentos nos territórios sob controle das forças insurgentes.

Porta-vozes do quartel geral das milícias citados por Itar-Tass disseram que continuam as investigações sobre as outras ações dos saboteadores.

A chancelaria russa denunciou ontem as tentativas de obstruir a chegada da ajuda humanitária enviada por Moscou para os civis do sudeste ucraniano. Uma nota publicada no site ministerial expressa "profunda preocupação" pelas tentativas de pôr cada vez mais novos obstáculos ao transporte desses meios.

A intensificação das ações militares por mando das tropas ucranianas na zona entre a fronteira da Rússia e Lugansk têm o evidente propósito de evitar a passagem do comboio pela rota acordada com Kiev, denuncia o comunicado oficial.

Ao que parece, na Ucrânia e fora de seus limites existem muitas forças dispostas a impedir a ajuda humanitária inclusive à custa de novas vítimas e destruições, indica o texto.

Nesta sexta-feira, guardas de fronteira e alfandegários ucranianos detiveram o comboio russo com o pretexto de não ter recebido a documentação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR).

A guarda fronteiriça e os oficiais da Alfandega estão prontos para começar o trabalho de recepção desses bens, mas nossos representantes não têm recebido nenhuma documentação do CICR, afirmou o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança e Defesa (CNSD), Andrei Lisenko.

tgj/jpm/cc

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

TÉCNICAS DE PUNIÇÃO DOLOROSA



Nikolay Starikov p/Vzgiad, via The Saker*
Tradução (para o inglês): equipe russa do SakerTradução (para o português):
mberublue


O ocidente está tão acostumado ao seu joguinho de um lado só que ficou realmente surpreso com a resposta russa às sanções que o ocidente impôs contra o país.
Tudo bem. Deixe lá que se acostumem. Seja quem for que contra nós venha com a espada, pela espada perecerá. Serve só quando se fala de batalha na qual se usem espadas, “guerra quente”. No entanto, se essa é guerra de sanções e proibições, o agressor, é claro, levará mais do que pediu.
Apoio em gênero, número e grau a introdução de sanções retaliatórias contra os países que, antes, impuseram sanções contra a Rússia. Por muitas razões:
– é bom para nossa economia e nossos produtores;– é importante para a autoestima de nosso povo, que nunca deixou de punir o infrator que tenha perdido o senso de realidade;– é necessário para que todos respeitem a Rússia, não apenas no interior do país mas também além de suas fronteiras.
A Rússia é uma superpotência. Recuperamos o status depois da reunificação da Criméia. Portanto, é futilidade tentar tratar a Rússia como se fosse criança birrenta que deve ser punida e ‘aprender uma lição’.
Pois a partir de agora, qualquer agressor saiba que pagará caro pela agressividade. A retribuição acontecerá na mesma medida e grau da agressão.
Se a agressão for econômica, o agressor pagará caro em sua própria economia e renda. Pagará igualmente caro em vidas de seus soldados e com a perda de liberdade de manobra na esfera internacional, por qualquer agressão militar.
Como já aconteceu várias vezes no decorrer da história, nós não começamos a confrontação. A Rússia está sendo ‘punida’ porque... há uma guerra em curso nos arredores das fronteiras da Rússia, depois de o ocidente ter dado apoio explícito e ostensivo ao golpe de estado na Ucrânia. Ocorre que a OTAN ameaça expandir sua infraestrutura nas proximidades de nossas fronteiras. O nosso território está sendo bombardeado pela zona de conflito.
O ocidente, em si mesmo, não está em perigo. A Rússia jamais tomou qualquer atitude agressiva contra o ocidente, a partir de suas fronteiras. No entanto, estamos sendo punidos. Muito bem. Também podemos puni-los.
Vocês precisam de nós muito mais do que precisamos de vocês.
A partir de agora, nenhum canhão tem permissão de disparar perto de nossas fronteiras sem nossa explícita permissão. Além de entender, o mundo deve recordar: sempre foi assim, desde os tempos da Imperatriz Elizabeth Petrovna até os tempos de Leonid Brezhnev.


Ninguém tem o direito de disparar perto de nossas fronteiras nem, e especialmente, através delas. É bom que nossos gentis “parceiros” acostumem-se com o fato de que toda a parte eurasiana da Europa é território de nossos interesses vitais. Sempre foi assim e assim deve continuar agora.
Entretanto, nesse meio tempo, armas não só militares, mas também econômicas estão disparando não sem nossa permissão, mas contra nós. A seu tempo, os atiradores devem ser e serão punidos. Severamente punidos. Chega!
O ocidente equivocadamente interpreta como fraqueza, a nossa bondade. Está na hora de responder todas as agressões contra a Rússia com técnicas de punição dolorosa.
Há apenas uma semana, no artigo “Técnicas para infligir a dor para proteger a Rússia”, escrevi o seguinte:


“Já está na hora de a Rússia mudar para uma política de técnicas de fazer sentir dor. Ademais, a continuação de nossa política de tentar promover a paz só fez nossos inimigos aumentarem suas forças. Temos de parar de sorrir e começar a responder aos ataques desfechados contra nós. Nossas ações têm de ser mais rápidas e provocar maior dano que os golpes de nossos inimigos. Como num ringue, na luta contra boxeador mais pesado, o atleta mais leve só tem uma vantagem: a velocidade.
E distribuir golpes dolorosos aos pontos mais sensíveis de nosso forte adversário. Quais são os pontos que mais doem em nossos “parceiros” geopolíticos? É necessário avaliar, escolher e golpear”.


Então, aconteceu exatamente isso. Entendemos, reconhecemos, fizemos nossas escolhas. E respondemos aos golpes.
De acordo com as medidas para implementar a Ordem Executiva Presidencial n. 560, de 6/8/2014 “Adoção de Medidas Econômicas Especiais para Proporcionar Segurança à Federação Russa” foi introduzida a proibição, por um ano, das importações de produtos agrícolas, matérias primas e alimentares dos seguintes países:


Estados Unidos da América;União Europeia;Canadá; Austrália; Reino da Noruega.


A lista inclui:
1) Carne, porco, aves, salgados, secos ou defumados, peixes e frutos do mar, frescos, refrigerados ou congelados.
2) Leite e produtos dele derivados, vegetais, frutos e nozes, embutidos e produtos assemelhados e outras variedades de carnes (incluindo produtos alimentícios acabados com base em carne).
3) Alimentos processados, queijos, requeijão e outros produtos lácteos, baseados em gordura vegetal.
Os embargos da Federação Russa em relação aos produtos dos países ocidentais não se estendem à comida importada para bebês, nem a compras individuais de bens originários de países sancionados pela Rússia.
Adicionalmente, a Rússia impôs a proibição de voos de companhias aéreas ucranianas em seu espaço aéreo. “Esta foi uma resolução acordada pelo governo. Refere-se à suspensão do trânsito de aeronaves ucranianas sobre o espaço aéreo russo para certo número de países – Azerbaijão, Geórgia, Armênia e Turquia,” disse o Primeiro Ministro Medvedev.
Sanções que ainda podem vir a ser implementadas:
1) Proibir voos de aeronaves da Europa e dos Estados Unidos sobre o nosso espaço aéreo, rumo à Ásia Oriental (a região Ásia/Pacífico).
2) Alterar as chamadas de entrada e pontos de saída no espaço aéreo russo para qualquer voo regular ou charter da Europa, o que vai acarretar aumento de custos de transporte e tarifas para transportadores aéreos ocidentais.
“Nosso país está pronto para revisar as regras de uso das rotas transiberianas, quer dizer, denunciar os princípios acordados de modernização do sistema existente na atualidade – declarou o Primeiro Ministro Medvedev. – A revisão será aplicável em sua plenitude aos países europeus. Interromperemos também as conversações com as autoridades aéreas dos Estados Unidos sobre o uso das rotas transiberianas.”
A resposta às agressões é não só justificada, como também é a única iniciativa correta para a Rússia. Mas a Rússia sempre estará pronta para cessar a confrontação e reiniciar uma pacífica e mútua cooperação benéfica.
Contra esses países que declararam suas sanções econômicas contra nós, a Rússia foi forçada a introduzir suas próprias sanções. Para todo o mundo, o sinal é muito claro: “Nem tente atacar a Rússia”! Custa caro atacar a Rússia. Leve-se em consideração que nossas sanções têm período de duração de um ano. É o suficiente para que nossos “parceiros” também sintam a dor das sanções e mudem seu modo de pensar.
Se nada disso ajudar, o período pode ser estendido à vontade. Apresentaremos aos nossos “parceiros” novos setores nos quais serão ainda mais machucados.
Este é o nosso país e o país é nosso. Aqui, portanto, nós fazemos as regras. Já jogamos pelas regras de vocês por tempo suficiente. Agradecemos a vocês, parceiros queridos que já desistiram das próprias regras. Claro que, nessas circunstâncias, estamos livres do trabalho de nos retirarmos unilateralmente.
Surpresos? Não esperavam por isso?Acostumem-se. A Rússia voltou...**************************



* Nikolay Starikov é presidente adjunto do partido político para toda a Rússia “Partido da Grande Pátria” (POF). É escritor e publicitário.

País inicia embargo econômico em resposta a sanções

País inicia embargo econômico em resposta a sanções

Nikolai Litovkin, Anna Kutchma, Gazeta Russa
Restrição à importação de produtos da União Europeia e EUA pode contribuir para aumento de preços no mercado russo.
Os países da União Europeia podem sofrer um prejuízo de 12 bilhões de euros devido ao embargo de produtos alimentícios que a Rússia impôs aos Estados que aderiram às sanções contra o país. Além da proibição da importação de produtos da UE, as medidas se aplicam também a uma série de produtos dos Estados Unidos, Canadá, Noruega e Austrália. O Japão não foi incluído na lista, embora também tenha aderido às sanções.
Os russos estão preocupados com a possibilidade de verem as prateleiras das lojas vazias e os preços dos produtos dispararem por conta do embargo. Muitos comerciantes estão confiantes de que seus negócios não serão afetados, já que os importadores de produtos poderão contornar as sanções e, além disso, a Rússia deve aumentar as importações da América do Sul e Ásia.
O embargo russo terá duração de um ano. Na lista dos produtos atingidos estão a carne bovina e suína, aves e produtos derivados, embutidos e linguiças, leite e demais produtos lácteos, incluindo queijos, bem como peixe, legumes, tubérculos, frutas e nozes.
Perdas para os importadores
A maioria das sanções de produtos alimentícios vai afetar a UE, cujos países são os principais exportadores de alimento para a Rússia. De acordo com o Instituto de Estudos Estratégicos Integrados (IKSI, na sigla russa), a Rússia compra da Europa 31,5% da carne, 42,6% de produtos lácteos e 32% dos legumes que consome.
"Para a UE o prejuízo pode chegar a 12 bilhões de euros, uma vez que a produção de alimentos representa cerca de 10% do que vendemos para a Rússia", estimou o representante da União Europeia em Moscou, Vygaudas Usackas, em entrevista à emissora de rádio Govorit Moskva (Fala Moscou).
Especialistas salientam que a Rússia também é fortemente dependente das importações. De acordo com o Serviço de Alfândega Federal, em 2013 as importações de alimentos na Rússia atingiam US$ 43,1 bilhões. Segundo o Instituto de Estudos Estratégicos Integrados, o país compra do exterior 70% de todas as frutas e cerca de 50% do leite em pó e queijo que consome.
Analisando separadamente o impacto do embargo nos países da UE, os mais dependentes das exportações de comida para a Rússia são a Letônia, a Lituânia, a Polônia e a Finlândia. Eles fornecem principalmente manteiga e queijo ao mercado russo. Por exemplo, a Finlândia direciona 41% da exportação de manteiga para a Rússia e tem também uma grande cota (47%) de fornecimento de peixe congelado. A Letônia e Lituânia enviam 43% das suas exportações de embutidos para o país, e vegetais, frutas e nozes da Polônia e da Lituânia têm boa parte de sua produção direcionada ao mercado russo.
Ainda de acordo com o Instituto de Estudos Estratégicos Integrados, na Alemanha, Itália, Reino Unido e Espanha somente alguns produtos específicos poderão vir a sofrer impacto com o embargo russo. O país responde por apenas 9% e 6% das exportações da carne congelada da Espanha e Itália, respectivamente, e por 6% das exportações alemãs de carne de porco e frutos secos.
No que diz respeito aos Estados Unidos, Canadá e Austrália, a Rússia também recebe desses países carne, peixe, legumes e tubérculos, mas o peso destas importações no volume total de vendas desses países é extremamente pequeno.
Risco de prateleiras vazias
O impacto negativo também deverá ser sentido do lado russo. O jornal “Kommersant”, com base em uma fonte do Kremlin, explica a lógica das sanções impostas. A Rússia enfrentará as restrições impostas pelo embargo da exportação de alimentos ao mesmo tempo em que o governo russo atua para impulsionar a substituição das importações por produção nacional. Somente a OMC (Organização Mundial do Comércio) poderá cancelar as restrições, e a Rússia pretende cumprir as decisões de arbitragem da entidade. Até lá, as disputas comerciais terão dado aos agricultores nacionais tempo para preencher os mercados carentes dos produtos exportados.
No entanto, especialistas acreditam que é improvável conseguir restabelecer rapidamente a produção interna russa e que o mais provável é que seja necessário encontrar novos fornecedores. "A Rússia não será capaz de preencher instantaneamente a demanda com produção nacional. Com uma política pública bem feita, será possível dentro de um ano garantir a substituição de 15 a 20% dos produtos embargados por produtos nacionais. Mas por enquanto a Rússia vai recorrer a outros fornecedores estrangeiros", disse ao serviço de notícias RBTH o chefe do departamento de Economia Regional e Geografia Econômica da Escola Superior de Economia, Aleksei Skopin.
Os principais candidatos para a substituição de importações são fornecedores da Ásia e da América do Sul, com o aumento de parcerias comerciais já existentes.
"As prateleiras das lojas russas com certeza não vão ficar vazias: a Turquia e os países da América Latina estão prontos para cobrir por completo o ‘vazio europeu’ que se formou. O único problema é o aumento dos custos de transporte, que serão incorporados ao preço final das mercadorias. Além disso, alguns novos produtos poderão ser de qualidade inferior aos dos europeus", acredita Skopin. Segundo ele, o aumento dos preços dos produtos agrícolas deve ficar entre 5 e 10%.
Empresários entrevistados pelo RBTH também confirmam que os preços dos alimentos vão subir. Representantes de pequenas empresas garantem que, diante de um potencial déficit temporário, os fornecedores podem, inclusive, aumentar os preços até mesmo dos produtos russos.
Mas existe uma opção: os produtos europeus poderiam permanecer nas prateleiras russas com outros rótulos. Segundo Dmítri Potapenko, da empresa Management Development Group, é possível que o fornecimento de produtos europeus continue a ser feito, mas apenas através de países da União Aduaneira, território aduaneiro único entre a Rússia, Belarus e Cazaquistão, onde não há taxas e restrições econômicas.
http://br.rbth.com/economia/2014/08/08/russia_inicia_embargo_economico_em_resposta_a_sancoes_26857.html

sábado, 9 de agosto de 2014

Fatos falam alto e claro: O avião malaio abatido foi atingido por caças



José Goulão e Urszula Borecki
Jornalistas sem Fronteiras -
Ucrânia - O piloto alemão de longo curso Peter Haisenko afirma, com base numa observação detalhada de fotos disponíveis dos destroços do avião da Malaysian Airlines, acidentado na Ucrânia, que o aparelho foi abatido pelos caças SU 25 que várias fontes detectaram nas imediações antes de o avião desaparecer dos radares.
As fotos examinadas pelo piloto revelam perfurações no cockpit provocadas por balas de calibre de 30 milímetros, que são utilizadas pelos caças SU 25 como os que foram identificados nas imediações do voo MH17.
"Os fatos falam alto e claro, bem para lá de qualquer tentativa de especulação", escreve Peter Haisenko, num artigo divulgado pelo site Global Research. "O cockpit exibe sinais de bombardeamento. Podem ver-se os orifícios de entrada e saída das balas. As bordas de uma série de orifícios estão dobrados para dentro. Estes são os orifícios pequenos, redondos e limpos, mostrando o pontos de entrada dos mais que prováveis projéteis de calibre de 30 milímetros", acrescenta o piloto alemão.
"Além disso", sublinha ainda o comandante Peter Haisenko, "é visível que os orifícios de saída na camada exterior da estrutura de alumínio duplamente reforçada são triturados e dobrados, naturalmente para fora!"
Nos destroços do cockpit, o piloto alemão encontra também sinais de que os disparos das metralhadoras foram completados com o recurso a bombas incendiárias antitanque disparadas por canhões GSh-302 , que também equipam o arsenal disponível nos SU 25, "e que foram idealizadas para destruir os tanques mais modernos".
Segundo a tese do piloto alemão, o avião não foi abatido por um míssil Buk, porque o resto dos destroços do avião desmente essa possibilidade. O derrube do aparelho resultou do bombardeamento do cockpit, que provocou uma pressurização limite no interior da cabine. O aparelho "inchou como um balão" e explodiu internamente, razão pela qual os destroços da fuselagem do avião não revelam sinais de ter sido atingido do exterior.
Peter Haisenko recorda que a presença de caças nas imediações do avião malaio foi detectada pelos radares russos e revelada logo na hora da tragédia através das comunicações Twitter do controlador espanhol "Carlos" da torre de controle de Kiev. Todos os testemunhos sobre o assunto são concordantes na informação de que o avião comercial desapareceu dos radares alguns segundos depois de os caças ucranianos se terem afastado.
Nos Estados Unidos, afirma Peter Haisenko, diz-se que a queda do avião se deve a um "potencial erro trágico/acidente". A propósito, o piloto alemão interroga-se se o "erro trágico" não terá sido a confusão feita pela aviação ucraniana entre o avião malaio e o do presidente russo, que voaria nas imediações (regresso de Putin da América Latina), tendo ambos os aparelhos cores muito semelhantes. Esta possibilidade, normalmente não abordada, foi evocada no dia do acidente pela agência russa Itar, mas sem seguimento.
O piloto alemão levanta também a possibilidade, revelada há horas por Jornalistas sem Fronteiras, de a queda de Arseny Iatseniuk, primeiro ministro da Ucrânia, estar associada ao "erro trágico" e à tentativa para assassinar o presidente da Rússia.
Estas considerações "são especulações", admite Peter Haisenko. Mas há circunstâncias factuais que não deixam dúvidas: "o bombardeamento do cockpit do vôo MH017 não é, com toda a certeza, uma especulação"; e as fotografias do Google em que o piloto alemão baseou a sua análise desapareceram entretanto da internet.
Fonte: Global Research.

GAZA: O MASSACRE VISTO POR DENTRO


Dois médicos noruegueses em Gaza descrevem uma guerra que visa especialmente residências e hospitais e faz a população crer que já não há nada a perder.
Gideon Levy e Alex Levac, no Haaretz
Os números são escritos em tinta na palma da sua mão, como se fosse um aluno a anotar uma cábula para um exame: 1.035 mortos, 6.233 feridos, em duas horas na segunda-feira. A cada dia, ele apaga os números e atualiza-os.
Esta semana, o professor Mads Gilbert deixou o Hospital de Shifa, na Faixa de Gaza, para passar umas breves férias na sua terra natal, Noruega, depois de duas semanas consecutivas a tratar as vítimas da guerra. O seu colega e compatriota, o professor Erik Fosse, deveria substituir Gilbert em Gaza, mas até meio da semana Israel ainda não tinha permitido que o fizesse. Fosse passou, também, a primeira semana da Margem Protetora em Shifa, e queria voltar.
Em termos de danos causado à população civil, e principalmente às crianças, a atual guerra na Faixa de Gaza é ainda mais angustiante do que a anterior.
Gilbert e Fosse trabalharam em Shifa durante a Operação Chumbo Fundido, em 2008-09, e publicaram, na sequência dessa experiência, o livro Olhos em Gaza, um best-seller internacional. Agora, eles afirmam que, em termos de danos causado à população civil, e principalmente às crianças, a atual guerra na Faixa de Gaza é ainda mais angustiante do que a anterior.
Ambos têm cerca de sessenta anos. Eram admiradores de Israel na sua juventude, mas na primeira guerra do Líbano em 1982 – durante a qual se alistaram para ajudar a tratar os palestinos feridos – as suas perspetivas e vidas mudaram para sempre. “Foi então que vi a máquina de guerra israelense pela primeira vez”, lembra Gilbert.
Fosse dirige uma organização chamada NORWAC (Comitê da Ajuda Norueguesa), que presta assistência médica aos palestinos, e é financiada pelo governo norueguês. Gilbert (que é voluntário independente) e Fosse têm, ambos, dedicado boa parte das suas vidas a ajudar os palestinianos, o que tornou Gaza uma segunda casa para eles. Na segunda-feira à tarde, encontramos Fosse, um cirurgião cardíaco, em Herzlia, retornando para Gaza, depois das suas férias na Noruega. E conhecemos Gilbert, um anestesista, enquanto saía da passagem da fronteira de Erez a caminho de casa. As imagens descritas pelos dois deve pesar muito na consciência de cada ser humano decente.
“Pensei que a Operação Chumbo Fundido seria a experiência mais terrível da minha vida”, disse Gilbert, “até que cheguei a Gaza há duas semanas. Era ainda mais chocante. Os dados revelam que há 4,2 vítimas palestinas por hora… Mais de um quarto dos mortos são crianças; mais da metade são mulheres e crianças. As forças armadas de Israel admitem que 70% são civis; a ONU diz que 80% são; mas pelo que vi no Shifa, mais de 90% são civis. Isso significa que estamos a falar de um massacre da população civil”.
“Shujaiyeh foi um verdadeiro massacre”, continua ele. “Na Operação Chumbo Fundido, eu não vi esse tipo de ataque em edifícios residenciais; naquela época, os prédios públicos foram atacados. A brutalidade, o dano intencional a civis e a destruição são mais angustiantes agora do que na Operação Chumbo Fundido. O fato de as pessoas receberem um aviso de 80 segundos para evacuar as suas casas é desumano. A visão de Shujaiyeh é mais terrível do que qualquer coisa que vimos na Operação Chumbo Fundido”.
“Shujaiyeh parece Hiroshima. Nunca me vou acostumar com a visão de uma criança ferida, quando não temos à disposição meios adequados para tratar dela. Usamos anestesia local, devido à falta de remédios, e nem para isso há drogas suficientes”.
Gilbert, que leciona na Universidade do Norte da Noruega, também está furioso com o que considera como danos intencionais do exército aos hospitais. Nada sobrou do hospital de reabilitação Al-Wafa; o hospital infantil Mohammed al-Dura em Beit Hanun foi bombardeado pelo exército, e uma criança de dois anos e meio, internada na UTI, foi morta. Quatro pessoas morreram no Hospital Al-Aqsa. Gilbert tinha visitado o hospital infantil e testemunhou a cena com os seus próprio olhos. Nove ambulâncias foram atacadas; os médicos foram mortos e feridos. Na opinião de Gilbert, estes incidentes constituem crimes de guerra.
O médico ficou particularmente impressionado pela determinação e comportamento dos residentes, principalmente os que compõem as equipas médicas locais. Em Shipa, nenhum dos funcionários recebeu salário por três meses; nos oito meses anteriores, apenas receberam metade dele. Mesmo os que viram as suas casas destruídas continuaram a trabalhar. A sua devoção à profissão sob tais condições deixaram-no atônito.
No que diz respeito à afirmação de que os líderes de Hamas estão escondidos em Shifa, os dois noruegueses dizem não terem visto um único homem armado ou qualquer chefe da organização; alguns ministro do Hamas foram visitar os feridos.
Gilbert diz que, também na Operação Chumbo Fundido, o exército de Israel tentou assustar o pessoal médico dizendo que os militantes armados estavam escondidos no hospital. Mas a última pessoa com armas que os noruegueses viram em Shifa foi um médico israelense, durante a primeira intifada, anos atrás. Gilbert diz que avisou o homem sobre a lei internacional, que proíbe levar armas para hospitais.
Da mesma maneira, ele recusa as declarações de que o Hamas está usando a população civil de Gaza como escudo humano, e adiciona: “Onde é que a resistência clandestina ao nazismo se escondia, na Holanda e França? E onde escondia as suas armas?”
“Eu não apoio o Hamas”, diz Gilbert. “Eu apoio palestinos, e também o seu direito de escolher os líderes errados. E quem escolheu [o primeiro-ministro israelense] Neanyahu e [o ministro de Relações Exteriores, de extrema-direita] Lieberman? Eles [os palestinos] têm o direito de cometer erros. Visito Gaza há 17 anos. Quanto mais a bombardeiam, mais o apoio à resistência cresce. Sinto que a tentativa de retratar o Hamas como um Boko Haram é ridícula. Boko Haram é o exército de Israel, que está a violar a lei internacional. Como é que os seus comandantes podem estar orgulhosos de matar civis?
“A História vai julgá-los e acredito que o exército de Israel não vai sair bem desta situação, dados os fatos. Eu faço um apelo aos israelenses: ergam-se. Mostrem coragem. Israel está se movendo na direção de ser pior que a África do Sul — e isso seria uma forma vergonhosa de deixar o palco da história”.
Fosse é mais comedido, provavelmente porque trabalhou apenas até a invasão por terra em Gaza começar. Em Shifa, ele conduziu cerca de dez operações por dia. Elogia a especialidade dos médicos de Gaza, com quem trabalhou.
Ele vê a sua missão como uma extensão para além da sala de cirurgia, ao levantar um grito de alarme para o mundo, depois de Gaza ser esvaziada de qualquer presença internacional por Israel. Ele afirma que a maioria dos feridos que tratou foram atingidos por mísseis guiados de precisão. Está certo, portanto, de que o maior número de ataques a civis e crianças foi intencional.
No seu livro, os noruegueses reproduziram uma foto dos atiradores do exército de Israel, vestindo t-shirts com as legendas: “Menores — mais duros” e “Uma bala — dois mortos”. Desta vez, são os mísseis inteligentes que estão a matar crianças. Mas na opinião de Fosse, o cerco de Israel a Gaza é ainda mais sério para os seus residentes do que a guerra. E é esse o motivo de o Hamas estar mais agressivo agora.
“Há sete anos, a sociedade inteira está a desmoronar-se. Não há comércio, não há exportação nem saída. A única atividade que permite acumular dinheiro é o contrabando, e isso destrói a sociedade. Destrói Gaza como uma sociedade normal. O cerco criou um reduzido grupo de pessoas que enriquecem com o contrabando. Todas as outras são pobres. Isso mina a estrutura da sociedade, e é o maior problema de Gaza.
“Recordei-me das minhas conversas com cirurgiões palestinnos da minha idade. Durante anos, eles viveram numa Gaza aberta, que tinha relações excelentes com os médicos israelenses. Sempre sonharam em voltar a essa situação. Agora, esses mesmos médicos reúnem-se em volta da televisão e ficam felizes quando foguetes caem no país vizinho. Eu alerto: mas Israel vai reagir. E eles dizem: não nos importamos mais. Vamos morrer de qualquer maneira. É melhor morrer num bombardeamento.
“Eles perderam toda a esperança. É chocante ver estas pessoas a perderem os seus filhos e não se importarem mais. Israel está a perder soldados, agora, para preservar uma situação a que o mundo inteiro se opõe. Isso é um crime contra uma população civil imensa”, acrescenta Fosse.
“Vocês roubaram o seu futuro e eles estão em desespero. O Hamas não tem muito apoio, mas há um imenso apoio ao sentimento de que não há mais nada a perder. E, do outro lado, está a sociedade israelense, que não se importa. É muito triste. Vocês, que passaram pelo Holocausto, tornaram-se racistas. Na minha opinião, isso é uma tragédia. Por que estão a fazer isso? Estão a ultrapassar todos os limite éticos — e, no fim, isso também vai destruir a sua própria sociedade.”
(*) Artigo traduzido e publicado em português pelo Outras Palavras.
Tradução de Cauê Ameni e Gabriela Leite

sábado, 2 de agosto de 2014

"Substituíram a ditadura militar pela ditadura midiática”